domingo, setembro 28, 2008

“Sou um fantoche do destino”*
Neste caminho de ilusões me encontro e atenuo
Destino onde pereço e me desnudo
Onde em desatino desfaleço.
Ah queria sentir o quente do humano ciúme
Perder-me nesse amado queixume
Que nos indica o querer e desejo amado
Mas fantoche já sou e recusado,
Fui por desprezo e vã memória desdenhado.
Quis não mais que as palavras trocadas e partilhadas
Em noites com silêncios entrecortadas,
Naquele beijo que a boca sedenta desejava
E o corpo de paixão e prazer implorava.
Fui do destino um simples nada
Naquela hora em que nada mais almejava
Que ter em meus braços a coisa amada
E em seus ouvidos a minha magoa escutada.
Mas para longe partiu em riso de gozo e em braços levada
Tapando o entendimento ao desejo que a chamava.
Não mais ideias entendidas em noites de crescimento
Não mais palavras e troca de sentimento.
Que é vã seu querer e fraco alento,
Por outros tido em sofrimento.
Outros são quem lhe alimenta a razão
Que lhe beijam em falsas promessas o coração,
Quem mundanamente, lhe entrega falsa ilusão.
Assim me deito neste destino desfadado,
Em que em negra noite fui recusado,
E jamais em seus braços sepultado!

*William Shakespeare in "Romeu e Julieta"

2 comentários:

sara rosa disse...

Sinto-me como uma planta,
que no rio segue o seu caminho,
Até parar e criar raizes,
A vida para mim,tem sido o meu rio,
Só que para mim,no meu interior,
Ainda não encontrei terra para criar as minhas raizes,
Terra onde eu possa passar
o que vai dentro de mim,
A terra que encontro,tem sido estéril,
Não absorve a minha essencia,
Tenho de voltar ao rio
para me levar,
Onde a terra seja útero
certo,pra eu renascer,
É forçoso,
O encontro.

Nogs disse...

E eu sinto-me uma marioneta do destino, com movimentos tão desacertados, mas alguns sorrisos pintados também.


bonito texto.