Revoltam-se-me as entranhas como o vento que rodopia nas folhas caídas no Outono!
Aquece-me a alma e o corpo um fogo reflectido das tarde serenas de Verão,
Para logo me varrer este frio que me sopra aos poros todas as invernias do mundo.
A espaços, não mais que a espaços, acalmo num qualquer prado verde de primavera.
Em mim se alternam as estações e turva-me o olhar como se me tem turvado a vida,
Sempre que me deleito em infames banquetes.
Revoltam-se-me as entranhas e padeço calmamente, ardentemente, desatinadamente.
Raios partam esta dor de barriga!!!
Segunda-feira, Setembro 28, 2009
Pesadelo

Percorro em sonho, a linha suave do seu peito.
Não mais em realidade, é certo, mas em sonho.
Nela se espraiou meu corpo, breve de cansado e ali ficou,
Perdido ao caminho longo das suas coxas, ás alvas planícies da sua pele,
Onde me banhei na fonte sacra de desejos incontidos, de onde morri e onde ressuscitei.
Foi no tempo em que o vento norte empurrou a barca para o cais,
E me detive salgado na praia, banhado ao vento e á sede.
Foi no tempo das palavras trocadas, roubadas e oferecidas,
Eternamente mudas, plenas de silêncios entendidos naqueles fins de tarde.
Éramos crianças grandes aprendendo a linguagem das ondas em beijos de sal,
E carícias húmidas de maresia onde nos perdemos encontrando.
Tenho-a visto, ou imaginado tanto faz, algures entre as ondas.
Passeando ao crepúsculo brincando á apanhada com as ondas, feito criança,
Acenando ás musas e ás serias, imitando seu canto.
E ouço-lhe as gargalhadas e os choros e grito em vão o seu nome que desconheço!
Não mais em realidade, é certo, mas em sonho.
Nela se espraiou meu corpo, breve de cansado e ali ficou,
Perdido ao caminho longo das suas coxas, ás alvas planícies da sua pele,
Onde me banhei na fonte sacra de desejos incontidos, de onde morri e onde ressuscitei.
Foi no tempo em que o vento norte empurrou a barca para o cais,
E me detive salgado na praia, banhado ao vento e á sede.
Foi no tempo das palavras trocadas, roubadas e oferecidas,
Eternamente mudas, plenas de silêncios entendidos naqueles fins de tarde.
Éramos crianças grandes aprendendo a linguagem das ondas em beijos de sal,
E carícias húmidas de maresia onde nos perdemos encontrando.
Tenho-a visto, ou imaginado tanto faz, algures entre as ondas.
Passeando ao crepúsculo brincando á apanhada com as ondas, feito criança,
Acenando ás musas e ás serias, imitando seu canto.
E ouço-lhe as gargalhadas e os choros e grito em vão o seu nome que desconheço!
Terça-feira, Setembro 01, 2009
Rodopios

Á roda da mesa roda que roda a conversa desmedida,
Tida pela saudade no tempo sentida á roda da mesa querida.
Seguem-se conversas, desabafos afectos partilhados,
Á roda da mesa tidos com rostos sorrindo cansados
Ah, mas que alegria a família á roda da mesa reunida,
Com risos de cor e infância que grita uma toada de amor.
O petiz diz o que a sua infante justiça lhe dita e sua alegria incita.
-O cão que foge de mim, mamã quando festas lhe faço.
-Corro, salto brinco e em liberdade me desfaço somente para cair de cansaço
(muito tarde na noite, que as estrelas brilham mais no teu regaço)
Á roda da mesa roda que roda a conversa desmedida,
A roda onde roda a roda da vida.
Tida pela saudade no tempo sentida á roda da mesa querida.
Seguem-se conversas, desabafos afectos partilhados,
Á roda da mesa tidos com rostos sorrindo cansados
Ah, mas que alegria a família á roda da mesa reunida,
Com risos de cor e infância que grita uma toada de amor.
O petiz diz o que a sua infante justiça lhe dita e sua alegria incita.
-O cão que foge de mim, mamã quando festas lhe faço.
-Corro, salto brinco e em liberdade me desfaço somente para cair de cansaço
(muito tarde na noite, que as estrelas brilham mais no teu regaço)
Á roda da mesa roda que roda a conversa desmedida,
A roda onde roda a roda da vida.
Quinta-feira, Junho 18, 2009
Acordar Louco
Hoje acordei com o sol lá fora e a névoa cá dentro.
Ambos são realidades da minha natureza,
O sol brilha que assim tem de ser e a névoa esconde as vergonhas da razão.
Cada um cumpre a sua função com distinção.
Um de iluminar e outro de ocultar.
Tenho uma fome no espírito:
Fome de loucura e desvario.
Eu que louco me tornei e vazio de gestos que me alimentem a insana mente.
Fome de uma loucura que transborde e se afogue na inesperada certeza.
Sei que sou louco e na loucura espero a loucura não chegada.
Ah ridículo aguardar!
Como se não soubesse que nada existe para alem da realidade!
Que a metafísica nada mais é que a minha vil imaginação de poeta menor?
Querendo esquecer que do caminho para onde olho nada virá se não o vento e a areia que me cegam os olhos!
Não sei nada disto por ser da loucura que espero e não chega.
Merda! Pronto disse!
Outros podem viver e rir e criar e se chamar de poetas, mas eu não!
Eu que sou louco e de loucura esfomeado e sedento.
E esta névoa que minha névoa encerra.
Não sei o que esconde a minha humanidade
Se é somente esta forma de esperar o que, de desespero já se avista.
Sim, louco sou. E ridículo e palhaço que, com olhos rasos de agua, faz rir
Sim louco, e depois?
Louco por vazio de loucura me entregar a desditas literárias que nada valem
E que acabam, invariavelmente num qualquer caixote do lixo da memória!
Louco por desejar uma loucura onde descanse esta mente exausta!
Onde, finamente possa lavar meus olhos da areia, que a espera me recompensa.
Ambos são realidades da minha natureza,
O sol brilha que assim tem de ser e a névoa esconde as vergonhas da razão.
Cada um cumpre a sua função com distinção.
Um de iluminar e outro de ocultar.
Tenho uma fome no espírito:
Fome de loucura e desvario.
Eu que louco me tornei e vazio de gestos que me alimentem a insana mente.
Fome de uma loucura que transborde e se afogue na inesperada certeza.
Sei que sou louco e na loucura espero a loucura não chegada.
Ah ridículo aguardar!
Como se não soubesse que nada existe para alem da realidade!
Que a metafísica nada mais é que a minha vil imaginação de poeta menor?
Querendo esquecer que do caminho para onde olho nada virá se não o vento e a areia que me cegam os olhos!
Não sei nada disto por ser da loucura que espero e não chega.
Merda! Pronto disse!
Outros podem viver e rir e criar e se chamar de poetas, mas eu não!
Eu que sou louco e de loucura esfomeado e sedento.
E esta névoa que minha névoa encerra.
Não sei o que esconde a minha humanidade
Se é somente esta forma de esperar o que, de desespero já se avista.
Sim, louco sou. E ridículo e palhaço que, com olhos rasos de agua, faz rir
Sim louco, e depois?
Louco por vazio de loucura me entregar a desditas literárias que nada valem
E que acabam, invariavelmente num qualquer caixote do lixo da memória!
Louco por desejar uma loucura onde descanse esta mente exausta!
Onde, finamente possa lavar meus olhos da areia, que a espera me recompensa.
Eureka
Eureka!!!! Descobri! Já disse o cientista!
Eu que de ciência entendo pouco
Eu que de metafísica estou inundado.
Ciúme é metafísica
Metafísica é este abraço que sinto.
Não, não é amor que sinto, é Querer!
Querer vazia porque me dou.
Querer sem recolha, sem imagem espelhada em mim.
Descobri, não é amor que sinto.
Amar é calmo
Querer é tumulto de paz construído.
Uma onda que se espraia na areia da vida
Uma fusão, um querer não querendo.
Um desejo ignorado.
Não, não é amor que sinto!
É Querer que me rouba a alma e me perde nesta busca!
Neste achado desencontro!
Hoje acordei com a escrita nas mãos
Escrita pobre como pobre é o que dou.
Desejo somente o por do sol na planície.
O inebriante odor do mar que a nossos pés implora nossos corpos.
O riso sincero de teus lábios perante a loucura.
Os olhos que não sei mais se mentem ou sinceramente imploram.
Sim sou um doido com direito a sê-lo!
Porque tão somente.
Não é amor que sinto, é desejo de Querer.
Eu que de ciência entendo pouco
Eu que de metafísica estou inundado.
Ciúme é metafísica
Metafísica é este abraço que sinto.
Não, não é amor que sinto, é Querer!
Querer vazia porque me dou.
Querer sem recolha, sem imagem espelhada em mim.
Descobri, não é amor que sinto.
Amar é calmo
Querer é tumulto de paz construído.
Uma onda que se espraia na areia da vida
Uma fusão, um querer não querendo.
Um desejo ignorado.
Não, não é amor que sinto!
É Querer que me rouba a alma e me perde nesta busca!
Neste achado desencontro!
Hoje acordei com a escrita nas mãos
Escrita pobre como pobre é o que dou.
Desejo somente o por do sol na planície.
O inebriante odor do mar que a nossos pés implora nossos corpos.
O riso sincero de teus lábios perante a loucura.
Os olhos que não sei mais se mentem ou sinceramente imploram.
Sim sou um doido com direito a sê-lo!
Porque tão somente.
Não é amor que sinto, é desejo de Querer.
Ao corpo me fiz paixão
Ao corpo me fiz paixão
Naquele beijo roubado á razão.
Onde em vida fui sepultado!
Em cada palavra tua, embriagado,
E pelas trevas desse olhar, iluminado.
Em cada suspiro de entrega, renasço
Em cada abraço me desfaço!
Nessa chama onde queimei o destino,
No momento em que, de alma e desatino
Fui parido, criado, cuspido.
Que se calem as vozes de antanho
Que se faça silencio entre o rebanho
De cadáveres de inveja e medos trespassados!
Que o som seja somente os dos beijos esmagados
Entre nossas bocas sedentas, nossos corpos esfomeados
Seja teu prazer meu veneno!
Meu respeito e honra, tua vida
Seja teu corpo minha ultima morada.
E nossas vidas, o caminhar desta jornada
Que jamais sejam teus olhos a traição demonstrada…
Naquele beijo roubado á razão.
Onde em vida fui sepultado!
Em cada palavra tua, embriagado,
E pelas trevas desse olhar, iluminado.
Em cada suspiro de entrega, renasço
Em cada abraço me desfaço!
Nessa chama onde queimei o destino,
No momento em que, de alma e desatino
Fui parido, criado, cuspido.
Que se calem as vozes de antanho
Que se faça silencio entre o rebanho
De cadáveres de inveja e medos trespassados!
Que o som seja somente os dos beijos esmagados
Entre nossas bocas sedentas, nossos corpos esfomeados
Seja teu prazer meu veneno!
Meu respeito e honra, tua vida
Seja teu corpo minha ultima morada.
E nossas vidas, o caminhar desta jornada
Que jamais sejam teus olhos a traição demonstrada…
Quarta-feira, Junho 17, 2009
As palavras e o vento
Devolve-me as palavras que á boca me arrancaste num beijo salgado!
Já as velas do barco aos ventos se estendem anunciando a viagem,
Quero levar as palavras,
Para o mar profundo que me reclama seu!
Devolve-me a marca da tua pegada na areia!
Devolve-me a sanidade, que na loucura já não sei andar!
Eu que louco fui, irremediavelmente louco,
Transmutavelmente insane e vil.
Aguardo na praia o bote que me leve,
Às planícies salgadas pela espuma dos tempos!
A tempestade sussurra teu nome como um grito!
E o peito se me queima lentamente em desvario.
Quero voltar ao mar e perder-me em agua,
Nos cantos malditos das sereias!
Quero voltar á Ilha Sagrada onde me acenam as sombras,
Se não a encontrar então que me perca buscando.
Devolve-me as palavras que em silencio guardas!
Preciso de vento que me encha o peito!
Já as velas do barco aos ventos se estendem anunciando a viagem,
Quero levar as palavras,
Para o mar profundo que me reclama seu!
Devolve-me a marca da tua pegada na areia!
Devolve-me a sanidade, que na loucura já não sei andar!
Eu que louco fui, irremediavelmente louco,
Transmutavelmente insane e vil.
Aguardo na praia o bote que me leve,
Às planícies salgadas pela espuma dos tempos!
A tempestade sussurra teu nome como um grito!
E o peito se me queima lentamente em desvario.
Quero voltar ao mar e perder-me em agua,
Nos cantos malditos das sereias!
Quero voltar á Ilha Sagrada onde me acenam as sombras,
Se não a encontrar então que me perca buscando.
Devolve-me as palavras que em silencio guardas!
Preciso de vento que me encha o peito!
Sexta-feira, Maio 29, 2009
Esquecimento

Se ao menos tu soubesses,
Dos momentos em solitude imposta!
Se ao menos tu soubesses a busca nos caminhos,
As veredas percorridas murmurando teu nome.
Mas neste bosque desencantado já me esqueço de te lembrar,
Onde outrora me esquecia de te esquecer.
Onde minha língua definia as suaves curvas do teu corpo,
E de ti bebendo me saciava.
Mas tu partiste e deixaste a marca dos teus pés nesta areia que sou!
Partiste em riso de escárnio e gozo.
Na cama o teu perfume como veneno que me inebria as noites,
Onde me assombram os fantasmas dos medos revelados pelos Deuses.
Se ao menos tu soubesses que és tu que ainda busco,
Enquanto sedento vou padecendo sob o sol abrasante da tua ausência.
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