"Não tenho ambições nem desejos. Ser poeta não é uma ambição minha. É a minha maneira de estar sozinho." Alberto Caeiro
segunda-feira, setembro 28, 2009
Gastrodesatino
Aquece-me a alma e o corpo um fogo reflectido das tarde serenas de Verão,
Para logo me varrer este frio que me sopra aos poros todas as invernias do mundo.
A espaços, não mais que a espaços, acalmo num qualquer prado verde de primavera.
Em mim se alternam as estações e turva-me o olhar como se me tem turvado a vida,
Sempre que me deleito em infames banquetes.
Revoltam-se-me as entranhas e padeço calmamente, ardentemente, desatinadamente.
Raios partam esta dor de barriga!!!
Pesadelo

Percorro em sonho, a linha suave do seu peito.
Onde se espraiou meu corpo, breve de cansado e ali ficou,
Perdido ao caminho longo das suas coxas, ás alvas planícies da sua pele,
Onde me banhei na sua sacra fonte de desejos incontidos, revoltos, mareados…
Onde morri e onde ressuscitei.
Foi no tempo em que o vento norte empurrou a barca para o cais,
E eu livre das amarras de outrora,
Detive-me salgado na praia, banhado ao vento e á sede.
Foi no tempo das palavras trocadas, roubadas e oferecidas,
Eternamente mudas, plenas de silêncios entendidos naqueles fins de tarde.
Éramos crianças grandes aprendendo a linguagem das ondas em beijos de sal,
E carícias húmidas de maresia onde nos perdemos e encontramos.
Tenho-a visto, ou imaginado tanto faz, algures entre as ondas.
Passeia ao crepúsculo brincando a apanhada com as ondas, feito criança,
Acenando ás musas e ás serias, imitando seu canto.
À noite, banha-se na lua cheia e acha graça...
E ouço-lhe as gargalhadas e os choros e grito em vão o seu nome que desconheço!
terça-feira, setembro 01, 2009
Rodopios

Tida pela saudade no tempo sentida á roda da mesa querida.
Seguem-se conversas, desabafos afectos partilhados,
Á roda da mesa tidos com rostos sorrindo cansados
Ah, mas que alegria a família á roda da mesa reunida,
Com risos de cor e infância que grita uma toada de amor.
O petiz diz o que a sua infante justiça lhe dita e sua alegria incita.
-O cão que foge de mim, mamã quando festas lhe faço.
-Corro, salto brinco e em liberdade me desfaço somente para cair de cansaço
(muito tarde na noite, que as estrelas brilham mais no teu regaço)
Á roda da mesa roda que roda a conversa desmedida,
A roda onde roda a roda da vida.