"Não tenho ambições nem desejos. Ser poeta não é uma ambição minha. É a minha maneira de estar sozinho." Alberto Caeiro
domingo, junho 19, 2016
Busquei-te entre as pedras,
como ontem te esperei entre livros, no silencio das palavras.
Busquei-te entre a maresia da ilha onde com meu corpo
sulquei as ondas suaves do teu!
Busquei-te entre as pedras
como ontem te esperei entre os livros, no silencio das palavras!
As pedras não me trouxeram a tua voz
lidas nas paginas em branco onde te esperei!
As pedras, oh as pedras...eternamente as pedras!
terça-feira, junho 14, 2016
Há um deserto de gelo com o teu nome
onde se perdem as auroras boreais!
Uma noite onde se perdem todos os tempos
algures entre os ciprestes vestidos de branco
Há um sol da meia noite,
um ocaso sem aurora onde me perco...
permanentemente me perco...
Há um deserto de gelo onde me aqueço
e pereço lentamente!
Há um deserto de gelo
Onde o vento norte sobra a maldição doce do teu nome!
sexta-feira, junho 10, 2016
sábado, junho 04, 2016
Testamentário!
Não no vale dos teus seios perdidos nas noites frias!
Quero partir com a mão no peito!
Lembrando quando era a tua que me queimava a pele e alagava o olhos!
Quero partir com a mão no peito!
Com a mesma força do vazio que a tua lhe oferece!
segunda-feira, junho 30, 2014
Merdas que escrevo!
Sobre as colinas traço destinos vãos!
Era a hora do nascer da lua e ao longe repicam as flautas de outros tempos!
Era a hora de todos os desenganos e todas as metafisicas!
E ali estava nua a montanha!
Ali retorno casa!
Sobre as colinas traço destinos vãos,
Como quem desbrava planícies em oração.
Tenho sede e desconheço a fonte!
quarta-feira, outubro 30, 2013
Poema desprovido de sentido!
Agora vai!
Vou deixar-te ir de mim.
Largar-te aos caminhos e ás tempestades e bonanzas...
Vai, simplesmente com a calma com que vieste,
mas mais cheia!
Cheia dos tempos em que te tive nos braços
Cheia com o cheiro breve da minha humanidade!
Vai.
Deixo-te partir levando aquela parte de mim que te coube
As cartas que não escreveste
Os olhares que não trocamos.
Vai.
Eu fico aqui inteiro destransbordado de vazios
Olhando o som dos teus passos...
Espera-me um copo de tinto!
quarta-feira, julho 17, 2013
domingo, julho 14, 2013
sexta-feira, julho 12, 2013
Billete
segunda-feira, setembro 05, 2011
Em Transito
Cruzam-se olhares desvividos indiferentes,
quinta-feira, janeiro 13, 2011
Devanear
terça-feira, novembro 16, 2010
Letras vãs
as que passei junto ás ondas,
nas areias alvas da praia.
Horas em que sorvia o sal do vento.
Eram horas em que esperava,
somente as amarras daquele navio ao largo.
Lanço as lágrimas e das aguas se faz maré cheia.
Há quem se perca no mar,
Eu perco-me nos labirintos sórdidos da memoria
sexta-feira, outubro 01, 2010
Recado
Quando se me esgotarem as palavras.
Se me cansarem os verbos.
Nesse dia amar-te-ei em silencio,
No espectro escuro das minhas entranhas.
Sem que vislumbre meu olhar o fogo extinguido do meu peito.
Um dia amar-te-ei em silêncio.
Não hoje! Um dia!
Que hoje estou cansado.
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
Genesis
No início era o verbo!
E o verbo se fez beijo.
Do beijo se fez êxtase.
Em êxtase nos fizemos carne.
Em santo pecado desnudada
Pela palavra bebida e recitada
No principio era o verbo,
Do verbo nos fizemos espírito,
Do espírito nos fizemos vento.
No princípio era o verbo.
E o verbo se fez saudade!
No principio, muito antes de nos rasgarmos
Inumanamente como dois condenados,
Era o verbo!
Esse verbo feito pretérito mais que imperfeito,
De gerúndios improváveis,
Desconjugado naquele fim de tarde,
Na hora de todos os desvelos,
Quando nossas bocas gramaticalmente se decompunham
Em múltiplos tempos de uma mesma língua
Em onomatopeias mudas...
No princípio foi o verbo
E no fim também…
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
Mediavida
A la medianoche,
Entre las nieblas en el camino,
Se quedó desnudo el beso.
Desnudo y solo.
Desafortunadamente solo y desnudo.
No más que dos labios fríos,
Esperando la boca que no llegaría jamás.
Partió así el beso,
Orfano de pasión,
Parindo palabras.
Uma biografia
Quando nasci, roubado ao ventre de minha mãe,
O dia foi simplesmente igual ao dia.
Tudo inalteravelmente de passagem como tempo.
Chorei como choram todos os que ao mundo são lançados,
Por fado ou por maldição divina, não sei.
È esta a minha essência: nascer chorando em cada gargalhada.
Lisboa que me acolhe e em sua luz me recorda os portos de outrora,
Quando corria pelos jardins, ou montava aquela bicicleta amarela.
Não, não me urge a saudade, nem me assalta a esperança desse tempo.
Cada cousa é na outra destinada e aqui me contemplo em anos vividos,
Sonhados…sonhados sobretudo.
Cresci vendo a natureza na linha continuada de mim.
Uma flor ou um dia de sol são o reflexo do mesmo sorriso que largamos ao vento.
A chuva, as grossas lágrimas de mar que nos lavam a alma.
Tudo é uno, separadamente uno, como unas são as mãos que me não abraçam
Cresci sim em tempo e desgraça e riso e pranto e tudo o que á humanidade reclamei.
Banhei-me em águas santas e fiz da ilha minha morada, eternamente!
Sim, sou louco! Mas consciente dessa loucura a que chamam sem senso.
Ao longe recordo-lhe os olhos de mel que em silencio me chamavam,
Com os mesmos passos calmos com que chegava e com que partiu.
Esqueci já em mim aquela manhã em fui parido em torrentes de sangue,
Recordando o rio salgado onde me perdi.
Sou hoje uma virgula no paragrafo do tempo, um apontamento de rodapé,
Neste desvario de vontade e saudade e desencanto.
Ignoro o passado, desconheço o presente e urge-me a doce lembrança do provir.
Fantasma mudo
Vens incógnita ao fim da tarde despedir-te das palavras e roubar um beijo,
Como dantes os roubaste á beira Tejo onde esperávamos as musas
Incógnita, não já fantasma, mas espírito da própria maldição.
segunda-feira, janeiro 11, 2010
Insonia
Breve desse mundo onde me esperas de cabelos á luz,
Sem eu conhecer mais que a marca dos teus passos na areia do deserto.
Esse nada que habita o desconhecido e por quem grito nestas noites vãs!
Leva-me pela mão ao passado feito amanhã, ensina-me novamente a tua voz!



