segunda-feira, janeiro 11, 2010

Insonia

Breve desse mundo onde me esperas de cabelos á luz,

Sem eu conhecer mais que a marca dos teus passos na areia do deserto.

Esse nada que habita o desconhecido e por quem grito nestas noites vãs!

Leva-me pela mão ao passado feito amanhã, ensina-me novamente a tua voz!

domingo, dezembro 27, 2009

Testemunho

É na ausencia dos teus olhos fundos,
que me ausento na imensidão do mar,
onde me perco e me encontro nas ondas.
Não sei mais do sal que verti nas trevas dos dias,
Quando inconscientemente te chamava,
pelo teu nome de menina.

domingo, novembro 15, 2009

Analfebetização


Um dia encontrei-te feita palavra!
Eras para mim simples letras iguais a tantas outras. Não te tinha descoberto o verbo e já te lia naquele instante em que os dedos guiaram os olhos, do mesmo modo, que um dia os olhos guiariam os dedos nas páginas alvas do teu corpo.
Um dia encontrei-te feita conjunção!
Aprendi a soletrar-te e a ler-te em silêncio e aos gritos de desespero na tua ausência. Aprendi-te as sílabas e os vocábulos e a gramática. Aprendi a preencher os parágrafos dos dias com as tuas frases entrecortadas com as minhas.
Um dia encontrei-te texto descrito!
E li-te imaginando mil cenários de batalhas e estórias de encantar lidas ao serão junto á lareira. Tinhas no olhar o sabor de terras distantes e neles me imaginei príncipe. Eu que sou vagabundo dos caminhos e neles me cobro de pó. Vi-te nos lábios o sorriso encantado de criança contando estórias de encantar.
Um dia encontrei-te…e foi de tanto te encontrar que te perdi!

segunda-feira, setembro 28, 2009

Gastrodesatino

Revoltam-se-me as entranhas como o vento que rodopia nas folhas caídas no Outono!
Aquece-me a alma e o corpo um fogo reflectido das tarde serenas de Verão,
Para logo me varrer este frio que me sopra aos poros todas as invernias do mundo.
A espaços, não mais que a espaços, acalmo num qualquer prado verde de primavera.
Em mim se alternam as estações e turva-me o olhar como se me tem turvado a vida,
Sempre que me deleito em infames banquetes.
Revoltam-se-me as entranhas e padeço calmamente, ardentemente, desatinadamente.
Raios partam esta dor de barriga!!!

Pesadelo


Percorro em sonho, a linha suave do seu peito.

Onde se espraiou meu corpo, breve de cansado e ali ficou,

Perdido ao caminho longo das suas coxas, ás alvas planícies da sua pele,

Onde me banhei na sua sacra fonte de desejos incontidos, revoltos, mareados…

Onde morri e onde ressuscitei.

Foi no tempo em que o vento norte empurrou a barca para o cais,

E eu livre das amarras de outrora,

Detive-me salgado na praia, banhado ao vento e á sede.

Foi no tempo das palavras trocadas, roubadas e oferecidas,

Eternamente mudas, plenas de silêncios entendidos naqueles fins de tarde.

Éramos crianças grandes aprendendo a linguagem das ondas em beijos de sal,

E carícias húmidas de maresia onde nos perdemos e encontramos.

Tenho-a visto, ou imaginado tanto faz, algures entre as ondas.

Passeia ao crepúsculo brincando a apanhada com as ondas, feito criança,

Acenando ás musas e ás serias, imitando seu canto.

À noite, banha-se na lua cheia e acha graça...

E ouço-lhe as gargalhadas e os choros e grito em vão o seu nome que desconheço!

terça-feira, setembro 01, 2009



Negaste-me teus braços,
Cruzaste o caminho para me evitar.
E eu mudo e ridículo pergunto
Agora onde me vou sepultar?

Rodopios


Á roda da mesa roda que roda a conversa desmedida,
Tida pela saudade no tempo sentida á roda da mesa querida.
Seguem-se conversas, desabafos afectos partilhados,
Á roda da mesa tidos com rostos sorrindo cansados
Ah, mas que alegria a família á roda da mesa reunida,
Com risos de cor e infância que grita uma toada de amor.
O petiz diz o que a sua infante justiça lhe dita e sua alegria incita.
-O cão que foge de mim, mamã quando festas lhe faço.
-Corro, salto brinco e em liberdade me desfaço somente para cair de cansaço
(muito tarde na noite, que as estrelas brilham mais no teu regaço)
Á roda da mesa roda que roda a conversa desmedida,
A roda onde roda a roda da vida.

quinta-feira, junho 18, 2009

Acordar Louco

Hoje acordei com o sol lá fora e a névoa cá dentro.
Ambos são realidades da minha natureza,
O sol brilha que assim tem de ser e a névoa esconde as vergonhas da razão.
Cada um cumpre a sua função com distinção.
Um de iluminar e outro de ocultar.
Tenho uma fome no espírito:
Fome de loucura e desvario.
Eu que louco me tornei e vazio de gestos que me alimentem a insana mente.
Fome de uma loucura que transborde e se afogue na inesperada certeza.
Sei que sou louco e na loucura espero a loucura não chegada.
Ah ridículo aguardar!
Como se não soubesse que nada existe para alem da realidade!
Que a metafísica nada mais é que a minha vil imaginação de poeta menor?
Querendo esquecer que do caminho para onde olho nada virá se não o vento e a areia que me cegam os olhos!
Não sei nada disto por ser da loucura que espero e não chega.
Merda! Pronto disse!
Outros podem viver e rir e criar e se chamar de poetas, mas eu não!
Eu que sou louco e de loucura esfomeado e sedento.
E esta névoa que minha névoa encerra.
Não sei o que esconde a minha humanidade
Se é somente esta forma de esperar o que, de desespero já se avista.
Sim, louco sou. E ridículo e palhaço que, com olhos rasos de agua, faz rir
Sim louco, e depois?
Louco por vazio de loucura me entregar a desditas literárias que nada valem
E que acabam, invariavelmente num qualquer caixote do lixo da memória!
Louco por desejar uma loucura onde descanse esta mente exausta!
Onde, finamente possa lavar meus olhos da areia, que a espera me recompensa.

Eureka

Eureka!!!! Descobri! Já disse o cientista!
Eu que de ciência entendo pouco
Eu que de metafísica estou inundado.
Ciúme é metafísica
Metafísica é este abraço que sinto.
Não, não é amor que sinto, é Querer!
Querer vazia porque me dou.
Querer sem recolha, sem imagem espelhada em mim.
Descobri, não é amor que sinto.
Amar é calmo
Querer é tumulto de paz construído.
Uma onda que se espraia na areia da vida
Uma fusão, um querer não querendo.
Um desejo ignorado.
Não, não é amor que sinto!
É Querer que me rouba a alma e me perde nesta busca!
Neste achado desencontro!
Hoje acordei com a escrita nas mãos
Escrita pobre como pobre é o que dou.
Desejo somente o por do sol na planície.
O inebriante odor do mar que a nossos pés implora nossos corpos.
O riso sincero de teus lábios perante a loucura.
Os olhos que não sei mais se mentem ou sinceramente imploram.
Sim sou um doido com direito a sê-lo!
Porque tão somente.
Não é amor que sinto, é desejo de Querer.

Ao corpo me fiz paixão

Ao corpo me fiz paixão
Naquele beijo roubado á razão.
Onde em vida fui sepultado!
Em cada palavra tua, embriagado,
E pelas trevas desse olhar, iluminado.

Em cada suspiro de entrega, renasço
Em cada abraço me desfaço!
Nessa chama onde queimei o destino,
No momento em que, de alma e desatino
Fui parido, criado, cuspido.

Que se calem as vozes de antanho
Que se faça silencio entre o rebanho
De cadáveres de inveja e medos trespassados!
Que o som seja somente os dos beijos esmagados
Entre nossas bocas sedentas, nossos corpos esfomeados

Seja teu prazer meu veneno!
Meu respeito e honra, tua vida
Seja teu corpo minha ultima morada.
E nossas vidas, o caminhar desta jornada
Que jamais sejam teus olhos a traição demonstrada…

quarta-feira, junho 17, 2009

As palavras e o vento

Devolve-me as palavras que á boca me arrancaste num beijo salgado!
Já as velas do barco aos ventos se estendem anunciando a viagem,
Quero levar as palavras,
Para o mar profundo que me reclama seu!
Devolve-me a marca da tua pegada na areia!
Devolve-me a sanidade, que na loucura já não sei andar!
Eu que louco fui, irremediavelmente louco,
Transmutavelmente insane e vil.
Aguardo na praia o bote que me leve,
Às planícies salgadas pela espuma dos tempos!
A tempestade sussurra teu nome como um grito!
E o peito se me queima lentamente em desvario.
Quero voltar ao mar e perder-me em agua,
Nos cantos malditos das sereias!
Quero voltar á Ilha Sagrada onde me acenam as sombras,
Se não a encontrar então que me perca buscando.
Devolve-me as palavras que em silencio guardas!
Preciso de vento que me encha o peito!

sexta-feira, maio 29, 2009

Esquecimento


Se ao menos tu soubesses,
Dos momentos em solitude imposta!
Se ao menos tu soubesses a busca nos caminhos,
As veredas percorridas murmurando teu nome.
Mas neste bosque desencantado já me esqueço de te lembrar,
Onde outrora me esquecia de te esquecer.
Onde minha língua definia as suaves curvas do teu corpo,
E de ti bebendo me saciava.
Mas tu partiste e deixaste a marca dos teus pés nesta areia que sou!
Partiste em riso de escárnio e gozo.
Na cama o teu perfume como veneno que me inebria as noites,
Onde me assombram os fantasmas dos medos revelados pelos Deuses.
Se ao menos tu soubesses que és tu que ainda busco,
Enquanto sedento vou padecendo sob o sol abrasante da tua ausência.

quinta-feira, maio 28, 2009

O tempo e a Ilha


As minhas chagas têm a forma de um beijo!
A cor púrpura dos seus lábios.
Se ao menos soubesse que em sonhos de desvario,
Viajo suavemente pelas arestas breves do seu corpo.
Ah, se ao menos a nostalgia das pedras partilhadas,
Não fosse cinzenta como a cor dos dias.
Tu sabes sim que foi por ti que deixei amarras,
Desbravei ventos e tempestades,
Para ancorar na breve eternidade do porto inseguro do teu peito.
Se ao menos…um instante de retorno!
Sem tempo, em todos os lugares!

quarta-feira, abril 01, 2009

Á flor da pele


Á flor da pele me planto semente.
Em cada pedaço dessa terra quero criar raízes,
Na aridez suave desse corpo criarei raízes.
Mas os ventos que assolam a alma e me fustigam,
Trazem o frio do vento norte,
A neblina gelada da ausência.
A ausência…
Esta é uma realidade minha imutável.
À flor da pele me amortalho louco e sano,
Descansadamente esgotado pela espera do brotar.
Á flor da pele…dessa pele seca pelo sal do mar!
Metafisicamente seca!
Foi á flor da pele que tatuei teu nome,
Com agulhas de beijos recusados,
Brotado de lábios de mordaça
Mas foi á flor da pele, da tua pele de alva seda,
Que humanamente, renasci flor de cacto!

quarta-feira, março 18, 2009

Experiencia


Diz-nos a palavra escrita e a sentida
Que no mar nos perderemos sem piedade.
Em múltiplas recusas desvendados
No simples caminho caminhado.
Diz-nos a vontade esquecida
Diz-nos o amor desencontrado!
Diz-nos o sussurro no eco gritado
Que mortos ou amordaçados
Seremos o corpo e estrume em que renascemos!
Diz-nos a vida sonhada em real dor chorada
Que seremos homem e mulher geminados.
Ah mas diz-nos a lava em Ilha formada
Que jamais a boca calará a lua despertada
E eu serei marinheiro náufrago,
Neste mar de Sargaços enredado.
Grite a alma sua dor ao vento,
Sua ausência ás ondas.
Que a espuma me sepulte
E que em seus braços de fantasia
Me amortalhe homem, sangue e grito…
Em silencio, perdidamente em silencio!!!

Regresso ao Mar!


Ja o vento se alevanta,
Ensufrando velas e chicoteando rostos!
Já a maré cheia esvazia os olhos,
E as ondas rolam face adentro.
Ja o vento se faz frio,
No peito cansado do marinheiro,
Na noite posta em desasossego.
Olhando no mar seu destino,
Na viagem anunciadamente recusada.
Ja o vento se alevanta,
Já o Adamastor espera,
Nos reconditos recantos da memória!
Já o vento se faz guia,
Já a saudade se faz espinho cravado em doce peito!
Já...no eterno acontecer da ausencia,
No limite da imensidão do mar!

segunda-feira, março 16, 2009

En ti!

Ojos de hembra hecho niña!
En tu sonrisa me encanto cada hora de desvelo.
Te echo de menos en la nieblas de la luna
Onde estas nítida con tu cuerpo.
Entes formas breves me dibujo hombre de nadie
En tu olor de placer me reencontré echo de sangre y alma.
Te quiero hoy en cada hora de ayer
Te busco en cada rincón del camino,
Para me perder en el paraíso único de tus cabellos!
Soy nada mas que lo qui era
Cuando en los campos verdes nos encontramos
Mojados por la lluvia que nos limpiaba de nuestra humanidad.
En ti era
En ti soy
En ti la luna sobre el manto del mar!

segunda-feira, março 09, 2009

9 ou a simples matemática!

Na noite se fez dia no reencontro predestinado.
Nas bocas se fez o desejo no destino beijado.
Esse numero magico nove, nove feito!
Nove cavaleiros, nove mestres,
Nove dias, nove noites de amor,
Nove musas nascidas de Zeus.
Nove décadas, nove séculos!
Nove esperas em novo mundo!
Em cada novo reencontro o nove parido reencontrado!
Nove vezes te grito NOVE!!!
Nove feito setenta vezes sete!


domingo, março 08, 2009

Olhar meu feito saudade


Olhos ledos lindos cansados,
Na calma complacente das horas
Passadas junto ao meu leito.
Dos momentos rendidos
Das batalhas vencidas.
Olhos ledos lindos cansados!
Olhos impressos na minha alma que os sauda.
Olhos estrela brilhantes em meus olhos pardos.
Mulher saudade partida e presente.
Olhos ledos lindos cansados.
Que á luz dos dias me deram á vida.
Que á saudade deixada me inundam,
Como a onda que acaricia a areia na partida.
Olhos ledos lindos cansados.
Olhos…onde a carne se fez mar!

terça-feira, março 03, 2009

Livremente preso a ti


Nada me prende ao mundo!
Nada!
Simplesmente esta minha vontade de liberdade!
Livremente me amarro ao corpo suave que desvendo.
Ao sorriso simples que tem um dia de Verão!
Simplesmente liberto vou amarrado ao querer do seu corpo.
Nada me prende ao desconhecido!
Nem ás vozes das sereias que clamam em noites de lua nova!
Simplesmente sigo navegando no mar imenso dos seus cabelos
Na alegria profunda dos seus olhos.
Neste barco com rumo traçado a norte.
Na direcção da ilha encantada onde na praia,
Me espera seu abraço de vida e morte!
Livremente! Eternamente! Conhecidamente!