domingo, julho 10, 2016

domingo, junho 19, 2016



Busquei-te entre as pedras,
como ontem te esperei entre livros, no silencio das palavras.
Busquei-te entre a maresia da ilha onde com meu corpo
sulquei as ondas suaves do teu!
Busquei-te entre as pedras
como ontem te esperei entre os livros, no silencio das palavras!

As pedras não me trouxeram a tua voz
lidas nas paginas em branco onde te esperei!

As pedras, oh as pedras...eternamente as pedras!


terça-feira, junho 14, 2016



Há um deserto de gelo com o teu nome
onde se perdem as auroras boreais!
Uma noite onde se perdem todos os tempos
algures entre os ciprestes vestidos de branco

Há um sol da meia noite,
um ocaso sem aurora onde me perco...
permanentemente me perco...

Há um deserto de gelo onde me aqueço
e pereço lentamente!
Há um deserto de gelo
Onde o vento norte sobra a maldição doce do teu nome!

sexta-feira, junho 10, 2016

Andam passos perdidos pela aldeia!
Perdidos ao sabor das palavras amordaçadas
de mil acordares distantes.
Andam passos despasados de tanto desencontro!

Lá onde as vielas se fizeram silencio e pranto!
Procura o vagabundo o aconchego
onde outrora a traição se fez coisa!

Clama em mudo grito o seu nome!
Escuta em solitaria presença do vazio...

Onde está?
Algures entre o todo e coisa alguma





sábado, junho 04, 2016

Testamentário!

Quero partir com a mão no peito!
Não no vale dos teus seios perdidos nas noites frias!
Quero partir com a mão no peito!
Lembrando quando era a tua que me queimava a pele e alagava o olhos!
Quero partir com a mão no peito!
Com a mesma força do vazio que a tua lhe oferece!

segunda-feira, junho 30, 2014

Merdas que escrevo!



Sobre as colinas traço destinos vãos!
Era a hora do nascer da lua e ao longe repicam as flautas de outros tempos!
Era a hora de todos os desenganos e todas as metafisicas!
E ali estava nua a montanha!
Ali retorno casa!
Sobre as colinas traço destinos vãos,
Como quem desbrava planícies em oração.
Tenho sede e desconheço a fonte!

La fora o cão escava o jardim e eu grito-lhe:

-Para, que não há nada debaixo do chão!!!

E o bicho olha-me com o olhar calmo de inocências e enterra a pata na relva e eu grito-lhe!

Não mais para que pare, mas que me ensine a escavar por debaixo da minha perdida humanidade!


Queria escrever um poema como se fosse um murro no estomago!
Fechar as palavras como um punho em riste
E impeli-lo contra a realidade,
Desfigurar o silencio,
Amordaça-lo contra a força de uma estrofe.
Fazer gritar todas as dores que se me abriste!

Queria escrever uma realidade
Como se fosse a face visível de um poema...

quarta-feira, outubro 30, 2013

Poema desprovido de sentido!


Agora vai!
Vou deixar-te ir de mim.
Largar-te aos caminhos e ás tempestades e bonanzas...
Vai, simplesmente com a calma com que vieste,
mas mais cheia!
Cheia dos tempos em que te tive nos braços
Cheia com o cheiro breve da minha humanidade!
Vai.
Deixo-te partir levando aquela parte de mim que te coube
As cartas que não escreveste
Os olhares que não trocamos.
Vai.
Eu fico aqui inteiro destransbordado de vazios
Olhando o som dos teus passos...

Espera-me um copo de tinto!

quarta-feira, julho 17, 2013


Quis ceder á tentação do teu copo,
Ao doce veneno do teu gosto doce quando ajoelhado a teus pés,
Como em oração de perdão pelo pecado de te querer.
Quis ceder ao teu nome pronunciado suavemente ao ouvido
Nas noites frias e aconchegante de inverno!
Quis amaldiçoar-me ao teu beijo,
Ao sabor agridoce da tua língua,
Ao orvalho santificadamente maldito do teu suor,
Escorrendo-me pelas veias.
Quis tudo isso e nada,
Somente na esperança de me encontrar,
Nas rubras letras do teu seio,
No grito amordaçado do teu prazer!
No gemido negado à tua carne!

domingo, julho 14, 2013

Encalhei num mar de gelo,
Cada ferida tem o sabor da tua pele.
O toque do teu cheiro,
O grito do teu silencio.

Perdi-me no branco profundo dos teus olhos escuros,
No gosto doce das tuas entranhas.

E é nesta contradição onde me tenho,
Que me encontro perdido.
Onde cada frio tem a forma do teu nome!

sexta-feira, julho 12, 2013

Billete


Mira:
No me quedaré en tu ojos mas que un rato!
Un breve instante. Sencillo, pero no mas que un rato.
En los ojos como en la vida.
Solamente el instante en que tu mirada,
vea cuanto mundo hay en ese momento en que seas mía.

Tendré ganas de prenderte a mi voz,
A mi cuerpo sucio y cansado.
Tendré ganas de prenderte,
entre la libertad de mis brazos.
Mismo que no sea jamás,
la playa que soñasteis,
o el campo verde de tu infancia.
Tendré ganas!
Pero no tendré fuerzas.
Aun así,
Me quedaré en tus ojos no mas que un rato,
El justo tiempo de una eternidad!

segunda-feira, setembro 05, 2011

Em Transito


Cruzam-se olhares desvividos indiferentes,
E eu aqui cruzando o tempo que se ausenta devagar.
Não me aproximo mais do porto, afasto-te desconhecidamente de mim,
Perdendo a noção de todos os medos.
Cruzam-se ilusões neste labirinto onde me perdi.
Na procura breve de um desejo.
Sinto-me cansado, indubitavelmente cansado,
Do amor que não tive, pela razão breve de não estar,
Porque assim estava riscado nas linhas alvas do fado!
Do grito amordaçado pela multidão,
Do silencio metafisico da ausência!
E cruzo o caminho como tenho cruzado a vida:
Buscando, perdendo, encontrando desencontros…
Cruzam-se passos apresados, cruzam-se…
Em solidão cruzo a multidão, cruzo o mar, cruzo,  cruzo-me!

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Devanear

Calmo como as aguas que me invadem os olhos, vou!
Ledo e quedo de espanto e saudade das aguas sacras onde me dei,
Lavo assim minh’alma feita de pranto e cansaço e feridas de batalhas perdidas
De batalhas perdidas…
Era não mais que um punhado de homem feito sonhos ou de sonhos feito qualquer coisa que não me entendo.
Estranha metafísica.
Tudo larguei ao vento do sentir e o vento se fez vendaval se fez furacão,
E o barco rumou contra as rochas outrora ilusão de porto de abrigo.
Perdi-me mil vezes na planície daqueles olhos ternos como gelos,
No ouro não visto no brilho dos dias de sol.
Perdi-me e não encontro de mim mais que a ferida latejante do meu peito,
As areias da memória.
Tenho ainda na boca o gosto acre dos teus lábios,
Na mente a real ilusão da loucura onde o tempo se perdia entre as rochas da praia.
Estou cansado!

terça-feira, novembro 16, 2010

Letras vãs

Eram horas calmas
as que passei junto ás ondas,
nas areias alvas da praia.
Horas em que sorvia o sal do vento.
Eram horas em que esperava,
somente as amarras daquele navio ao largo.

Lanço as lágrimas e das aguas se faz maré cheia.

Há quem se perca no mar,
Eu perco-me nos labirintos sórdidos da memoria

sexta-feira, outubro 01, 2010

Recado

Um dia amar-te-ei em silêncio!
Quando se me esgotarem as palavras.
Se me cansarem os verbos.
Nesse dia amar-te-ei em silencio,
No espectro escuro das minhas entranhas.
Sem que vislumbre meu olhar o fogo extinguido do meu peito.
Um dia amar-te-ei em silêncio.

Não hoje! Um dia!
Que hoje estou cansado.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Genesis

No início era o verbo!

E o verbo se fez beijo.

Do beijo se fez êxtase.

Em êxtase nos fizemos carne.

Em santo pecado desnudada

Pela palavra bebida e recitada

No principio era o verbo,

Do verbo nos fizemos espírito,

Do espírito nos fizemos vento.

No princípio era o verbo.

E o verbo se fez saudade!

No principio, muito antes de nos rasgarmos

Inumanamente como dois condenados,

Era o verbo!

Esse verbo feito pretérito mais que imperfeito,

De gerúndios improváveis,

Desconjugado naquele fim de tarde,

Na hora de todos os desvelos,

Quando nossas bocas gramaticalmente se decompunham

Em múltiplos tempos de uma mesma língua

Em onomatopeias mudas...

No princípio foi o verbo

E no fim também…

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Mediavida

A la medianoche,

Entre las nieblas en el camino,

Se quedó desnudo el beso.

Desnudo y solo.

Desafortunadamente solo y desnudo.

No más que dos labios fríos,

Esperando la boca que no llegaría jamás.

Partió así el beso,

Orfano de pasión,

Parindo palabras.

Uma biografia

Quando nasci, roubado ao ventre de minha mãe,

O dia foi simplesmente igual ao dia.

Tudo inalteravelmente de passagem como tempo.

Chorei como choram todos os que ao mundo são lançados,

Por fado ou por maldição divina, não sei.

È esta a minha essência: nascer chorando em cada gargalhada.

Lisboa que me acolhe e em sua luz me recorda os portos de outrora,

Quando corria pelos jardins, ou montava aquela bicicleta amarela.

Não, não me urge a saudade, nem me assalta a esperança desse tempo.

Cada cousa é na outra destinada e aqui me contemplo em anos vividos,

Sonhados…sonhados sobretudo.

Cresci vendo a natureza na linha continuada de mim.

Uma flor ou um dia de sol são o reflexo do mesmo sorriso que largamos ao vento.

A chuva, as grossas lágrimas de mar que nos lavam a alma.

Tudo é uno, separadamente uno, como unas são as mãos que me não abraçam

Cresci sim em tempo e desgraça e riso e pranto e tudo o que á humanidade reclamei.

Banhei-me em águas santas e fiz da ilha minha morada, eternamente!

Sim, sou louco! Mas consciente dessa loucura a que chamam sem senso.

Ao longe recordo-lhe os olhos de mel que em silencio me chamavam,

Com os mesmos passos calmos com que chegava e com que partiu.

Esqueci já em mim aquela manhã em fui parido em torrentes de sangue,

Recordando o rio salgado onde me perdi.

Sou hoje uma virgula no paragrafo do tempo, um apontamento de rodapé,

Neste desvario de vontade e saudade e desencanto.

Ignoro o passado, desconheço o presente e urge-me a doce lembrança do provir.

Fantasma mudo

Vens incógnita ao fim da tarde despedir-te das palavras e roubar um beijo,

Como dantes os roubaste á beira Tejo onde esperávamos as musas

Incógnita, não já fantasma, mas espírito da própria maldição.