"Não tenho ambições nem desejos. Ser poeta não é uma ambição minha. É a minha maneira de estar sozinho." Alberto Caeiro
sexta-feira, julho 12, 2013
Billete
segunda-feira, setembro 05, 2011
Em Transito
Cruzam-se olhares desvividos indiferentes,
quinta-feira, janeiro 13, 2011
Devanear
terça-feira, novembro 16, 2010
Letras vãs
as que passei junto ás ondas,
nas areias alvas da praia.
Horas em que sorvia o sal do vento.
Eram horas em que esperava,
somente as amarras daquele navio ao largo.
Lanço as lágrimas e das aguas se faz maré cheia.
Há quem se perca no mar,
Eu perco-me nos labirintos sórdidos da memoria
sexta-feira, outubro 01, 2010
Recado
Quando se me esgotarem as palavras.
Se me cansarem os verbos.
Nesse dia amar-te-ei em silencio,
No espectro escuro das minhas entranhas.
Sem que vislumbre meu olhar o fogo extinguido do meu peito.
Um dia amar-te-ei em silêncio.
Não hoje! Um dia!
Que hoje estou cansado.
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
Genesis
No início era o verbo!
E o verbo se fez beijo.
Do beijo se fez êxtase.
Em êxtase nos fizemos carne.
Em santo pecado desnudada
Pela palavra bebida e recitada
No principio era o verbo,
Do verbo nos fizemos espírito,
Do espírito nos fizemos vento.
No princípio era o verbo.
E o verbo se fez saudade!
No principio, muito antes de nos rasgarmos
Inumanamente como dois condenados,
Era o verbo!
Esse verbo feito pretérito mais que imperfeito,
De gerúndios improváveis,
Desconjugado naquele fim de tarde,
Na hora de todos os desvelos,
Quando nossas bocas gramaticalmente se decompunham
Em múltiplos tempos de uma mesma língua
Em onomatopeias mudas...
No princípio foi o verbo
E no fim também…
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
Mediavida
A la medianoche,
Entre las nieblas en el camino,
Se quedó desnudo el beso.
Desnudo y solo.
Desafortunadamente solo y desnudo.
No más que dos labios fríos,
Esperando la boca que no llegaría jamás.
Partió así el beso,
Orfano de pasión,
Parindo palabras.
Uma biografia
Quando nasci, roubado ao ventre de minha mãe,
O dia foi simplesmente igual ao dia.
Tudo inalteravelmente de passagem como tempo.
Chorei como choram todos os que ao mundo são lançados,
Por fado ou por maldição divina, não sei.
È esta a minha essência: nascer chorando em cada gargalhada.
Lisboa que me acolhe e em sua luz me recorda os portos de outrora,
Quando corria pelos jardins, ou montava aquela bicicleta amarela.
Não, não me urge a saudade, nem me assalta a esperança desse tempo.
Cada cousa é na outra destinada e aqui me contemplo em anos vividos,
Sonhados…sonhados sobretudo.
Cresci vendo a natureza na linha continuada de mim.
Uma flor ou um dia de sol são o reflexo do mesmo sorriso que largamos ao vento.
A chuva, as grossas lágrimas de mar que nos lavam a alma.
Tudo é uno, separadamente uno, como unas são as mãos que me não abraçam
Cresci sim em tempo e desgraça e riso e pranto e tudo o que á humanidade reclamei.
Banhei-me em águas santas e fiz da ilha minha morada, eternamente!
Sim, sou louco! Mas consciente dessa loucura a que chamam sem senso.
Ao longe recordo-lhe os olhos de mel que em silencio me chamavam,
Com os mesmos passos calmos com que chegava e com que partiu.
Esqueci já em mim aquela manhã em fui parido em torrentes de sangue,
Recordando o rio salgado onde me perdi.
Sou hoje uma virgula no paragrafo do tempo, um apontamento de rodapé,
Neste desvario de vontade e saudade e desencanto.
Ignoro o passado, desconheço o presente e urge-me a doce lembrança do provir.
Fantasma mudo
Vens incógnita ao fim da tarde despedir-te das palavras e roubar um beijo,
Como dantes os roubaste á beira Tejo onde esperávamos as musas
Incógnita, não já fantasma, mas espírito da própria maldição.
segunda-feira, janeiro 11, 2010
Insonia
Breve desse mundo onde me esperas de cabelos á luz,
Sem eu conhecer mais que a marca dos teus passos na areia do deserto.
Esse nada que habita o desconhecido e por quem grito nestas noites vãs!
Leva-me pela mão ao passado feito amanhã, ensina-me novamente a tua voz!
domingo, dezembro 27, 2009
Testemunho
que me ausento na imensidão do mar,
onde me perco e me encontro nas ondas.
Não sei mais do sal que verti nas trevas dos dias,
Quando inconscientemente te chamava,
pelo teu nome de menina.
domingo, novembro 15, 2009
Analfebetização
segunda-feira, setembro 28, 2009
Gastrodesatino
Aquece-me a alma e o corpo um fogo reflectido das tarde serenas de Verão,
Para logo me varrer este frio que me sopra aos poros todas as invernias do mundo.
A espaços, não mais que a espaços, acalmo num qualquer prado verde de primavera.
Em mim se alternam as estações e turva-me o olhar como se me tem turvado a vida,
Sempre que me deleito em infames banquetes.
Revoltam-se-me as entranhas e padeço calmamente, ardentemente, desatinadamente.
Raios partam esta dor de barriga!!!
Pesadelo

Percorro em sonho, a linha suave do seu peito.
Onde se espraiou meu corpo, breve de cansado e ali ficou,
Perdido ao caminho longo das suas coxas, ás alvas planícies da sua pele,
Onde me banhei na sua sacra fonte de desejos incontidos, revoltos, mareados…
Onde morri e onde ressuscitei.
Foi no tempo em que o vento norte empurrou a barca para o cais,
E eu livre das amarras de outrora,
Detive-me salgado na praia, banhado ao vento e á sede.
Foi no tempo das palavras trocadas, roubadas e oferecidas,
Eternamente mudas, plenas de silêncios entendidos naqueles fins de tarde.
Éramos crianças grandes aprendendo a linguagem das ondas em beijos de sal,
E carícias húmidas de maresia onde nos perdemos e encontramos.
Tenho-a visto, ou imaginado tanto faz, algures entre as ondas.
Passeia ao crepúsculo brincando a apanhada com as ondas, feito criança,
Acenando ás musas e ás serias, imitando seu canto.
À noite, banha-se na lua cheia e acha graça...
E ouço-lhe as gargalhadas e os choros e grito em vão o seu nome que desconheço!
terça-feira, setembro 01, 2009
Rodopios

Tida pela saudade no tempo sentida á roda da mesa querida.
Seguem-se conversas, desabafos afectos partilhados,
Á roda da mesa tidos com rostos sorrindo cansados
Ah, mas que alegria a família á roda da mesa reunida,
Com risos de cor e infância que grita uma toada de amor.
O petiz diz o que a sua infante justiça lhe dita e sua alegria incita.
-O cão que foge de mim, mamã quando festas lhe faço.
-Corro, salto brinco e em liberdade me desfaço somente para cair de cansaço
(muito tarde na noite, que as estrelas brilham mais no teu regaço)
Á roda da mesa roda que roda a conversa desmedida,
A roda onde roda a roda da vida.
quinta-feira, junho 18, 2009
Acordar Louco
Ambos são realidades da minha natureza,
O sol brilha que assim tem de ser e a névoa esconde as vergonhas da razão.
Cada um cumpre a sua função com distinção.
Um de iluminar e outro de ocultar.
Tenho uma fome no espírito:
Fome de loucura e desvario.
Eu que louco me tornei e vazio de gestos que me alimentem a insana mente.
Fome de uma loucura que transborde e se afogue na inesperada certeza.
Sei que sou louco e na loucura espero a loucura não chegada.
Ah ridículo aguardar!
Como se não soubesse que nada existe para alem da realidade!
Que a metafísica nada mais é que a minha vil imaginação de poeta menor?
Querendo esquecer que do caminho para onde olho nada virá se não o vento e a areia que me cegam os olhos!
Não sei nada disto por ser da loucura que espero e não chega.
Merda! Pronto disse!
Outros podem viver e rir e criar e se chamar de poetas, mas eu não!
Eu que sou louco e de loucura esfomeado e sedento.
E esta névoa que minha névoa encerra.
Não sei o que esconde a minha humanidade
Se é somente esta forma de esperar o que, de desespero já se avista.
Sim, louco sou. E ridículo e palhaço que, com olhos rasos de agua, faz rir
Sim louco, e depois?
Louco por vazio de loucura me entregar a desditas literárias que nada valem
E que acabam, invariavelmente num qualquer caixote do lixo da memória!
Louco por desejar uma loucura onde descanse esta mente exausta!
Onde, finamente possa lavar meus olhos da areia, que a espera me recompensa.
Eureka
Eu que de ciência entendo pouco
Eu que de metafísica estou inundado.
Ciúme é metafísica
Metafísica é este abraço que sinto.
Não, não é amor que sinto, é Querer!
Querer vazia porque me dou.
Querer sem recolha, sem imagem espelhada em mim.
Descobri, não é amor que sinto.
Amar é calmo
Querer é tumulto de paz construído.
Uma onda que se espraia na areia da vida
Uma fusão, um querer não querendo.
Um desejo ignorado.
Não, não é amor que sinto!
É Querer que me rouba a alma e me perde nesta busca!
Neste achado desencontro!
Hoje acordei com a escrita nas mãos
Escrita pobre como pobre é o que dou.
Desejo somente o por do sol na planície.
O inebriante odor do mar que a nossos pés implora nossos corpos.
O riso sincero de teus lábios perante a loucura.
Os olhos que não sei mais se mentem ou sinceramente imploram.
Sim sou um doido com direito a sê-lo!
Porque tão somente.
Não é amor que sinto, é desejo de Querer.
Ao corpo me fiz paixão
Naquele beijo roubado á razão.
Onde em vida fui sepultado!
Em cada palavra tua, embriagado,
E pelas trevas desse olhar, iluminado.
Em cada suspiro de entrega, renasço
Em cada abraço me desfaço!
Nessa chama onde queimei o destino,
No momento em que, de alma e desatino
Fui parido, criado, cuspido.
Que se calem as vozes de antanho
Que se faça silencio entre o rebanho
De cadáveres de inveja e medos trespassados!
Que o som seja somente os dos beijos esmagados
Entre nossas bocas sedentas, nossos corpos esfomeados
Seja teu prazer meu veneno!
Meu respeito e honra, tua vida
Seja teu corpo minha ultima morada.
E nossas vidas, o caminhar desta jornada
Que jamais sejam teus olhos a traição demonstrada…
quarta-feira, junho 17, 2009
As palavras e o vento
Já as velas do barco aos ventos se estendem anunciando a viagem,
Quero levar as palavras,
Para o mar profundo que me reclama seu!
Devolve-me a marca da tua pegada na areia!
Devolve-me a sanidade, que na loucura já não sei andar!
Eu que louco fui, irremediavelmente louco,
Transmutavelmente insane e vil.
Aguardo na praia o bote que me leve,
Às planícies salgadas pela espuma dos tempos!
A tempestade sussurra teu nome como um grito!
E o peito se me queima lentamente em desvario.
Quero voltar ao mar e perder-me em agua,
Nos cantos malditos das sereias!
Quero voltar á Ilha Sagrada onde me acenam as sombras,
Se não a encontrar então que me perca buscando.
Devolve-me as palavras que em silencio guardas!
Preciso de vento que me encha o peito!
